Você acorda de manhã, o quarto ainda está escuro, se senta na cama e
tenta abrir os olhos, o primeiro pensamento que corre em sua cabeça é: “Por que
ainda estou fazendo isso? ”.
Estamos vivendo de uma maneira desgastante,
nós não podemos nos dar o luxo de questionar o que é certo ou errado, apenas concordar
e seguir as regras que um dia alguém escreveu. Então você chega no seu local de
trabalho e provavelmente terá que procurar um prazer em que se apegar e seguir
em frente, seguindo sua vida como se ela fosse ditada por pequenos prazeres e
mimos para tudo ficar mais confortável e aceitável, então você se senta, olha
no seu monitor e não sabe onde começar, tenta lembrar de algum sonho deixado na
lixeira da sua mente, tenta imaginar que quando chegar em casa vai investir
nele, mudando toda sua rotina, mas você sabe que não é verdade, você se tornou
uma peça.
No meio da sua rotina vai almoçar e conversa
com seus colegas, tentando achar algum rumo diferente nas conversas deles,
talvez encontre felicidade e esperança em alguma história de um primo ou tio
que deu certo, talvez o respiro da sua hora de almoço lhe de uma vida, mas logo
depois você volta e toda aquela pressão e desesperança esta incutida em cada
movimento que você da. Cada vez que olha para o monitor percebe que as horas
não passam, então tudo aquilo que planejou se dissipa novamente. Você voltou a
ser o peão.
Não quero dizer que o problema está no
trabalho, quero mostrar um ponto crucial nisso tudo que é você já fazer parte
de um grande jogo, você já não sabe mais se movimentar por conta própria, já
não consegue mais se impor os limites, pois imagina inconscientemente que já é
um peão no meio disso tudo e sempre necessitara de um rei para proteger, sempre
precisará de uma mão para lhe mostrar onde deve ir e sempre andará uma casa de
cada vez, talvez no começo tenha tido aquele ímpeto de andar duas, mas não
agora, agora está tudo mais calmo, tudo mais lerdo, como se nada pudesse se
movimentar e ninguém quisesse te mover.
E então você chega em casa, talvez seu
cachorro te anime com toda aquela alegria e você a sente durante uns segundos,
até entrar em sua casa e ver que ela é o mesmo lugar que você deixou de manhã. Então você como todos os dias, se despe, toma um banho para tentar aliviar a
tensão, come algo e senta na frente do computador, procurando mais um pouco de
felicidade momentânea com posts falando que o mundo está insano, mas nunca
vão lhe dar uma solução, ou tenta procurar um prazer em pornografia, tudo bem,
é seu momento de procurar prazer em qualquer merda que te faça esquecer o dia
horrível que teve. Notou algo que faltou? Seus planos, mais uma vez eles são
jogados na lixeira, mais uma vez amassados e arremessados, parabéns, você fez
uma grande “cesta”, se tornou o melhor “cestinha” de sonhos em lixeiras
imaginarias. E no final isso irá se repetir, várias vezes, talvez em proporções
diferentes, talvez com algumas mudanças, mas você se tornou se próprio peão em
seu jogo. Talvez namore e tenha tornado seu (sua) companheiro (a) o grande rei,
que terá que o movimentar, que mostrar o jogo e ter de ser protegido a todo
custo, que fará você sacrificar o tabuleiro todo para manter apenas uma peça e
ela não será você, acredite...
Você precisa tomar as rédeas da sua vida,
afinal, já se sacrificou por tanta coisa até aqui, por que não se sacrificar
por você agora? Tente traçar um jogo e ser todas as peças do tabuleiro, não
apenas uma que vai se sacrificar mais e mais vezes até não restar mais nada. O
jogo é só um, as chances são muitas, não tenha medo de jogar da sua forma, seja
seu rei, seja seu jogador seja precioso para si mesmo daqui pra frente.
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