Você passa por uma situação constrangedora: é humilhado na frente de muitas pessoas, seu rosto
cora, seus olhos incham imediatamente cheio de lagrimas, seu estomago embrulha e suas mãos gelam. Naquele instante você se imagina como a pior pessoa do mundo, como se
fosse criada uma classe de sub-humanos e no momento e você está em primeiro lugar da lista. Seu desejo é olhar e retrucar com seu pior argumento, ser “baixo”,
falar tudo o que guardava, mas não fala, apenas retruca com alguns murmurinhos
e sai do meio daquilo tudo. Não por ser fraco, não por não ser incapaz, mas por
ser "melhor que aquilo tudo", você entra no banheiro, joga água no seu rosto, respira fundo e
nota o seu rosto pálido, seguido de uma cara nada agradável, imagina tudo o que
deveria ter feito e "foda-se" agir como uma pessoa "melhor", afinal não te leva a nada ser isso.
A solução não é levar desaforo para casa, não estou escrevendo para apresentar soluções. Mas precisamos notar uma sociedade amargamente sensível, pessoas que ofendem com facilidade, se
irritam com facilidade, todos nós somos assim. Talvez se você procurar em sua memória
não irá se lembrar de um momento em que você foi o agressor, em que você saiu
de si e esse é o ponto, nós deixamos de ser nós mesmos muito fácil e esquecemos
isso muito fácil, nos justificando com “ele mereceu “ou “ele começou” , como
crianças mimadas num jardim de infância, enquanto apontamos o dedo e dizemos algo para
aliviar a responsabilidade momentaneamente, mas ela está lá.
É necessario notar que levamos essa culpa em nossas
costas, nós a acumulamos e a das pessoas próximas para despejarmos na
primeira oportunidade, simplesmente
nos dando o direito de ser réu e juiz, dizendo quem deve levar toda a carga emocional
acumulada.
Acredito que estamos tão ocupados com assuntos
“mais sérios” para notar o quanto estamos adoecendo essa sociedade, nós fazemos
parte de tudo isso. Nós não lutamos para mudar o
nosso dia, não lutamos para mudar o dia de alguém próximo, só não nos
importamos com o bem-estar alheio, queremos sentar nos bancos de ônibus e tudo
bem se uma senhora estiver de pé, “o banco dela é aquele ali da frente, o que
eu tenho a ver com isso? ”, queremos dizer o quanto estamos preocupados com
nosso futuro e ler uma grande solução em 5 linhas, afinal o vídeo que estou
assistindo está esperando e eu já cansei de falar sobre tudo o que sinto em 10
segundos. Nós mesmos estamos criando barreiras que não conseguimos penetrar,
estamos nos cercando dentro de nossas vontades e necessidades e esquecendo de
agir como se existissem outros da nossa espécie dentro da nossa própria casa.
Nós nos tornamos seres sem humanidade, sensíveis apenas na flor-da-pele, que nos irrita
por qualquer motivo, apenas aquela vontade de não dar importância para o que
importa para o outro, dizemos cada vez mais palavras frias para tentar amenizar
situações que um simples abraço resolveria. Perdemos um pouco de nós todos os
dias, perdemos um pouco da capacidade de ver felicidade nos outros cada vez
mais de querer ver a felicidade nos outros cada vez mais.
Apenas olhar ao redor as vezes funciona, tente
isso no seu dia, tente ser melhor, ser sensível da maneira mais benéfica. Tente ser realmente melhor.
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