Tendo que viver todos
os dias com essa sensação, como se algo faltasse e ao mesmo tempo ocupasse um
grande espaço dentro de você.
A sensação de que você
não faz o suficiente, mesmo quando faz, a sensação de inquietude e de ausência de
paz vem de uma sociedade extremamente crítica e pobre de valores, que
simplesmente irá te dizer que deve fazer, porém nunca irá apontar o que, que
lhe diz para ocupar todo seu tempo com algo, trabalhar a todo momento em algo,
sem nunca descansar.
Somos cobrados por
empenho e devoção em tudo, obrigados a imaginar e constituir uma família perfeita,
obrigados a sempre obedecer e sempre acatar, obrigados a viver em normas
impostas, seja por religião, seja pelo governo ou sociedade.
Então deixe eu lhe
apontar um norte, essa ausência que pulsa é a ausência de voz, ausência de revelia,
ausência de liberdade, é a ausência da ociosidade pelo ócio, de poder ter paz
sem ter julgamento, de poder gritar para poder gritar, é a vontade de ser quem
você é e que todos ao seu redor te aceitem, que posse ser quem é e que todos te
abracem.
Nós mesmos não nos
abraçamos, nós que temos essa angustia de poder nos rebelar não nos permitimos
entender o próximo, por medo de sair fora do padrão, por medo de nos juntarmos
ao grupo diferente e separado, por medo de termos um julgamento dobrado,
julgados por fazer e julgados por admitir que assim fazemos.
Somos a sociedade que
se auto afeta, se causa dor para simplesmente dizer que sacrificamos mais e
mais por nada.
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